Jogo Justo… ou Jogo Sujo?

Este blog, antes de mais nada, é um espaço democrático. Antes mesmo de começar o meu texto, opinativo (óbvio), quero deixar aberto ao Jogo Justo, a Acigame e ao Sr. Moacyr Alves Jr., presidente da Acigame, este espaço para esclarecimentos e para direitos de resposta que possam vir de qualquer uma dessas partes.

Ao texto…

Polêmica. Essa é a primeira palavra que me vem a cabeça quando vejo mais uma vez o vídeo do programa Checkpoint, que está em loop enquanto escrevo esse post. Segue o vídeo:

Por que, diabos, Moacyr falou tudo aquilo sobre os jogos com distribuição digital? POR QUE, INFERNOS?

Será que a sujeira de um cargo político já corrompeu o até então “Salvador dos Gamers Brasileiros”?

Tudo começou com o Projeto Jogo Justo, iniciativa de Moacyr Alves Jr. para fazer com que o preço dos jogos no Brasil fosse menor e que a taxa de impostos que incidem sobre os produtos da indústria dos games fossem mais condizentes com a realidade brasileira. O projeto era algo que toda a comunidade de jogadores do Brasil queria! Preços mais baixos evitariam importações demoradas, evitariam o trabalho de ficar procurando alguém que está indo para o exterior e que possa trazer jogos, evitaria a compra de jogos e consoles que chegam ao país através de contrabando e, principalmente, diminuiria a pirataria de games no Brasil, algo enraizado por aqui desde os tempos dos pinballs e clones do Atari e do NES.

Vale lembrar aqui, exatamente o que está escrito no site www.jogojusto.com.br com o título “O que é o Jogo Justo?”:

“O Jogo Justo visa reduzir os impostos nos games importados, tornando-os mais acessíveis e assim, combatendo diretamente a pirataria no País, abrindo mais interesses nesse setor e também frentes de trabalho nessa área, ainda pouco explorada.

Nesse projeto conto com uma equipe de todas as áreas dos games para poder demonstrar o quanto é importante e o quanto todos nós podemos ganhar com uma efetiva redução nos impostos para o setor.”

Já em um outro post é possível ler o seguinte:

“O Projeto Jogo Justo foi criado dentro de uma comunidade e independe de ordem política, empresarial e da geração de lucros.”

Eis que o projeto foi pra frente, teve apoio de diversas frentes gamísticas (sites especializados, revistas, lojas especializadas e, principalmente, jogadores) e também contou com a participação de algumas lojas de grande porte como Saraiva, Ponto Frio e Walmart. É aí que começa a derrocada do projeto. É aí onde as coisas começam a andar mal.

Jogo Sujo: imagem meramente ilustrativa. Desculpas ao Maurício de Sousa pelo mal uso da imagem!

Tomamos como exemplo o primeiro Dia do Jogo Justo. Ação do Jogo Justo para que, em um dia, os jogos fossem vendidos por preços que não incluíam os impostos, ou seja, o preço real dos jogos se você não morasse no Brasil. Foram vendidos 5500 jogos (números do próprio site do Jogo Justo) por 99 reais cada. Eram apenas 3 títulos (Castlevania Lords of Shadows, Assassins Creed Brotherhood e PES 2011), mas as lojas “aproveitaram” a onda criada pelos gamers em torno do dia especial e fizeram “promoções” com diversos outros títulos. Nesse mesmo dia era possível comprar Viva Piñata, da Microsoft Games, pela bagatela de 159 reais. Dois dias antes do Dia do Jogo Justo o mesmo Viva Piñata custava 49 reais no Walmart. Era o início do Jogo Sujo. Neste dia várias reclamações pipocaram no Twitter e no Facebook contra a forma que as “grandes varejistas” estavam se aproveitando do projeto dos gamers. Estavam deturpando tudo aquilo que o Moacyr acreditava e pregava. Ou não.

Ou não… pois logo em seguida veio a criação da Acigames e aí sim fomos surpreendidos novamente.

A Acigames, Associação Comercial e Industrial das Empresas de Jogos Eletrônicos de uso doméstico (Videogames e acessórios), foi criada no início de 2011 e tem como finalidade, segundo o seu próprio estatuto, os seguintes itens:

 A Associação tem por finalidade:

I. Representar e defender os interesses dos associados civilmente por meio de iniciativas a seguir expostas:

a. Fomento a discussão sobre o papel dos jogos na sociedade, como meio de incentivo a cultura, auxílio a educação e sua função no desenvolvimento econômico do país;

b. Estímulo ao acesso à tecnologia por pessoas ou grupos de pessoas;

c. Estimular a melhoria técnica e profissional dos associados, no que diz respeito a produção, desenvolvimento, dublagem, distribuição, venda e outras atividades relacionado ao processo econômico de produção, distribuição e venda de jogos;

d. Estimular o aperfeiçoamento e o cumprimento da legislação que instrumentalize a consecução dos presentes objetivos e estimular parcerias entre as empresas, governos e sociedade civil;

e. Estimular o diálogo local e regional e solidariedade entre os diferentes segmentos sociais, participando junto a outras entidades de atividades civis que visem interesses comuns;

f. Estimular e trabalhar em pesquisas acerca da utilização de jogos digitais;

g. Fazer uso destas pesquisas para promover a utilização dos jogos em diversos ambientes da sociedade que promovam o entretenimento ou utilização de jogos de qualquer formato;

h. Buscar maior identificação entre os usuários através da aproximação das linguagens entre os fabricantes, comerciantes e desenvolvedores;

i. A defesa da liberdade de imprensa, liberdade de pensamento e liberdade de criação intelectual e artística, buscando auxiliar os órgãos da justiça e a sociedade civil a classificar e a identificar qual tipo de jogo é mais apropriado a cada faixa etária e respectivo público, permitindo que a sociedade decida que tipo de jogo deseja adquirir e consumir, repudiando a censura prévia de criação e a limitação criativa de seus associados e da sociedade civil.

Percebeu que em nenhum momento fala-se no Jogo Justo ou na redução dos impostos e manutenção dos preços dos jogos? Mas o pior de tudo… PERCEBEU A PARTE EM NEGRITO NO TEXTO? Peraí… é isso mesmo? O cara que estava do lado dos gamers agora está do lado de quem manda no mercado? Qual o interesse em baixar os preços para os lojistas? NENHUM! Aliás… só pra dar um gostinho ainda melhor… sabe quem é o vice-presidente da Acigames? Marcos Khalil! Não conhece? Pois saiba que esse é um dos donos da franquia UZ Games… aquela que está em quase todos os shoppings de São Paulo. Fisicamente!

E é aí que eu quero chegar… exatamente aí!

Está aí o motivo de Moacyr Alves Jr. ser contra a distribuição digital de jogos no Brasil. Está aí o motivo de toda essa conversa sobre ter escritório aqui, usar mão-de-obra daqui, ter servidores aqui e pagar impostos. Afinal, se a UZ Games paga impostos e tem que vender os jogos em mídia física com preço elevado, por que alguém que nem é do Brasil (essa não cola, Moacyr!) pode vender jogos aqui sem precisar pagar impostos? Porque está escrito ali em cima… na parte em negrito: REPRESENTAR E DEFENDER OS INTERESSES DOS ASSOCIADOS! E os maiores interessados no fim, ou no aumento do preço a ponto de ficar proibitivo, da distribuição digital são os lojistas. É aí que mora a merda toda! É aí que está a sujeira!

O pior de tudo é o Sr. Moacyr ainda querer usar de sua “influência política” para intimidar executivos que não fazem parte ou não querem fazer parte da Acigames, que é o caso citado no vídeo quando ele fala do Steam, e querer beneficiar àqueles que são associados, como a UZ Games do Sr. Khalil, que deixaria de ter a concorrência de preços do Steam e poderia praticar os mesmos preços altos que vem praticando desde sempre. Mas peraí… aí fodeu tudo! O Jogo Justo não era o projeto que visava baixar o preço dos jogos de videogame baixando os impostos? Sim. E o Moacyr está reclamando do Steam pois ele não paga todos os impostos que os jogos tem que pagar? É isso mesmo? Durmam com esse barulho!

No Brasil, a melhor opção para downloads de jogos online é o Steam. Mas no momento ele é muito mais polêmico do que... mamilos!

Lembrando que esta é a opinião deste blogueiro de merda, baseado apenas no que foi lido e visto por aí (youtube, sites da Acigames e do Jogo Justo) e da pouca, ou nenhuma, experiência que este mesmo merda tem de Jornalismo.

Novamente reitero, ao Moacyr e a Acigames, que o espaço está aberto para uma entrevista esclarecedora ou para uma resposta oficial sobre o caso, de forma que ambos os lados possam questionar e lembrar que o principal é, e sempre deveria ter sido, o CONSUMIDOR, nesse caso, o GAMER BRASILEIRO!

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Sobre Luiz Belonio

Jornalista, Gamer e um dos caras do Doze Bits. Ver todos os artigos de Luiz Belonio

Uma resposta para “Jogo Justo… ou Jogo Sujo?

  • Fabricio

    Realmente, o Sr Moacyr disse que não quer ferrar o Steam, e nem tem poderes pra isso. Mas conhece quem quer q quem tem né… depois que se mancomunou com o governo e com os lojistas, a credibilidade desse sujeito foi merda abaixo.. e pensar que foram os proprios gamers que colocaram ele lá…

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