Versão brasileira Herbert Richers

Os mais novos talvez não se lembrem, mas houve uma época em que quase tudo que assistíamos era dublado pela Hebert Richers. “Mas por que você tá falando dessa porr@, véi”, você indaga. Porque eu sou tipo o Suda 51, porr@, sou doidão! Brincadeira, eu chego lá já já.

O Brasil sempre teve fama mundo afora de ter uma dublagem exemplar. Até Steven Spielberg já elogiou o serviço por aqui. Boa parte disso talvez seja por termos tantas culturas mixadas, que nos permite ter tudo que é tipo de sotaque, e possibilite brincar com vários tipos de vozes de acordo com o teor do personagem ou do filme/série/desenho/qualquer coisa que seja dublada. Opiniões a parte sobre melhor assistir com áudio original ou a versão dublada, acho que cada caso é um caso, mas houve uma época que você não manjava PN de sotaques em inglês ou coisas do tipo, além do que coisas da infância sempre marcam mais do que as do presente. A voz do Bruce Willis pra mim é o da versão brasileira até hoje, mesmo que eu assista o filme com áudio original, e mesmo depois de o dublador (Newton da Matta) ter falecido.

Em disparidade com a realidade de filmes, séries e coisas do tipo, o mercado dos games demorou e muito pra entrar em cena. Claro que temos alguns casos raros como Warcraft 2 totalmente em português, mas a dublagem dele era tão porca (provavelmente feitos pelo próprio estúdio que traduziu  e distribuiu o jogo no Brasil, ou seja, experiência 0 em dublagem), que nem conta. Brasileiro sempre gostou de videogame, mas embora o gosto pela coisa sempre tenha existido, o mercado aqui nunca foi muito forte. A situação tem mudado de alguns anos pra cá, quando o país hoje ocupa uma posição em que vende mais até do que alguns países europeus. E verdade seja dita, pra mal ou pra bem, a pirataria aliada aos impostos altos sempre foram empecilhos pra que comprássemos jogos distribuídos nacionalmente, nos fazendo demorar a alcançar o ponto em que estamos hoje.

Essa realidade tem mudado aos poucos, e isso tem resultado em grandes estúdios abrindo filiais por aqui e demonstrando maior esmero em lançamentos localizados. Salvo a exceção de Nivaldo Prieto e Paulo Vinícius Coelho, narrador e comentarista esportivo respectivamente, nos Fifas clássicos, 10 anos atrás era até difícil pensar em ver jogos com uma dublagem como as de Diablo 3, The Last of Us ou Injustice nos dias de hoje, e isso se deve a esse crescimento do nosso mercado. Infelizmente ainda acontece apenas com jogos blockbusters, já que os custos de dublagem não são tão baixos para um lançamento nacional, motivo esse que provavelmente foi o que impediu a Bandai de investir na dublagem mais que clássica no jogo dos Cavaleiros do Zodíaco, mas o fato é que a coisa tá acontecendo aos poucos.

Tá ficando tão promissor, que os investimentos ficam até mais ousados. Enquanto lá fora Jack Bauer empresta sua expressão facial e voz para o Snake em MGS 5, por aqui a EA anuncia que o capitão Mathias, de Tropa de Elite, vai colocar sua voz em Battlefield 4. Já é um custo consideravelmente alto contratar dubladores conhecidos para a produção de um jogo, mas a coisa é vertiginosamente maior quando atores consagrados de filmes e novelas entram na parada. E pra mostrar que não é um investimento pequeno, além de André Ramiro (o Mathias), a EA anunciou também a voz de Dan Stulbach, ator das novelas da Globo, na equipe.

Só faltou o Capitão Nascimento

Só faltou o Capitão Nascimento

Essa é uma área da dublagem que merece ressalva. Em geral celebridades e atores de filmes e novelas não mandam muito bem quando o assunto é dublagem (vide Bussunda como Shrek, Luciano Huck como príncipe em Enrolados, Juliana Paes como a mestre Tigresa em Kung Fu Panda, ou a equipe do Pânico dublando o longa animado do Asterix), mas em compensação há também alguns casos excelentes como A Era do Gelo, Up: Altas aventuras, Ratatouille, e A Nova Onda do Imperador, que ficaram muito boas.  Creio que tem que ser analisado caso a caso o game e o ator/celebridade, mas por favor grandes estúdios, façam alguns testes com esse povo antes de contratarem pra trabalhar nos seus jogos, é bom lembrar que o público gamer não é necessariamente o público do caldeirão do huck ou das novelas. E ainda que seja, não quer dizer que é uma boa, afinal não é porque gosto de sorvete que acho que ele vá ficar bem no filé a parmeggiana.

"Ssou gostosa que nem a Angelina Jolie, posso fazer o mesmo papel que ela"

“Sou gostosa que nem a Angelina Jolie, posso fazer o mesmo papel que ela”

Concluindo, reclamem o que quiserem o pessoal do “eu prefiro a voz original, tem mais emoção e bla bla bla”, mas acho que os profissionais brasileiros tão mandando muito bem na coisa, e o jogo tem se tornado mais dinâmico sem precisar ficar ativando legendas pra acompanhar os diálogos junto para não faltar informação quando não entendeu bem o que o personagem falou em inglês. E isso se tratando de pessoas que tem estudo na língua, imagine para as pessoas que nem isso tem.

PS: Já pensou um futuro jogo dos X-Men com a voz nacional do Wolverine?

assinatura pnmp

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