Arquivo da tag: mega drive

Os velhos tempos: Streets of Rage

banner old times

Em 1991 o Mega Drive estava a todo vapor no início da guerra dos consoles da geração 16 bits. O gênero do momento na época era o beat em up. Alavancado por sucessos anteriores como Double Dragon (um dos precursores) e o consagradíssimo (e meu jogo do gênero favorito ever) Tartarugas Ninja no arcade, a coisa bombava pra tudo que era lado, todo mundo queria lançar o seu. A Sega mesmo já tinha um game do gênero mas na ambientação medieval fantasiosa (Golden Axe), sobrando então pra Streets of Rage com a ambientação de briga de rua (como alguns amigos chamavam o jogo ou o gênero na época).

A Sega tinha esmero com detalhes, repare o poste em primeiro plano

A Sega tinha esmero com detalhes, repare o poste em primeiro plano

Eu nunca tive um console Sega, então só me restava jogar nas casas dos amigos, ao menos até a era dos emuladores, e Streets of Rage é um dos jogos que guardo com todo o carinho na memória. Os que me conhecem sabem o quanto sou fanboy do gênero beat em up, me divirto fácil com jogos de qualidade duvidosa, salvo Double Dragon 2 (em 3d renovado, não o clássico) lançado há alguns meses na Live, que é a tristeza em forma de jogo.

A história do game não tem muito mistério, é o básico dos jogos de briga de rua: As gangues e a máfia dominam as grandes cidades, um grupo (no caso de SoR, de policiais) revoltados com isso decidem resolver a parada na base da bica e dos paranauê na fuça. Apesar da trama manjada, Streets of Rage trazia umas inovações bacanas no gênero, a começar por ter uma mulher como personagem jogável. Aí você pode até dizer “mas a Sega já fez isso antes em Golden Axe”, ok, fez isso mesmo e foi uma novidade, mas na área de temas urbanos completamente dominado por artistas marciais truculentos, prefeitos, e até tartarugas mutantes, ela foi uma das primeiras a explorar isso. Além de mulher, tenho a impressão que SoR também foi um dos primeiros a acrescentar um personagem negro no gênero. Na jogabilidade, SoR trouxe também um terceiro botão que utilizava o “ataque especial”, que consistia em chamar reforços da polícia pra mandar bala nos inimigos da tela.

Se você se deparar com uma versão escrita "Bare Knuckle" não se assuste, é só o nome do jogo no Japão

Adam pronto pra sentar bica

Nos comandos o game tinha seu pequeno diferencial também, enquanto em Double Dragon, você sentava joelhadas na cara dos inimigos quando estes estavam atordoados, em Streets of Rage era possível dar uns sopapos, pular pra de trás do inimigo e sentar um golpe de judô dando uma ponte no inimigo e estourando a cara dele no chão.

Se você se deparar com essa capa, não estranhe, Bare Knuckle é o nome da versão japonesa

Se você se deparar com essa capa, não estranhe, Bare Knuckle é o nome da versão japonesa

O jogo era foda, mas ao menos pra mim, a cereja do bolo era a conceituada trilha sonora. Yuzo Koshiro se inspirou em um monte de coisas que era pop na época, tal qual Sadeness, da(o) Enigma, ou Pump Up the Jam, do Technotronic, e foi uma das melhores ideias que ele teve. A trilha é marcante e volta e meia me pego lembrando dela, como não o faço com várias de outros jogos que curto até mais.

Se você cometeu a blasfêmia de nunca ter jogado esse clássico, se mata… mentira, vai só atrás do jogo, tem sempre promoções de Sega Classics pra tudo que é console, inclusive pra Steam, com a trilogia SoR. Mas pra ter uma experiência realmente foda e nova com o game, faça o favor de ir atrás do Streets of Rage Remake. “O que é isso” você pergunta? É só um projeto de fãs que durou em torno de 8 anos e que reuniu tudo dos 3 jogos e mais algumas coisas extras fazendo um jogo completamente novo com isso. Você tem opções de caminho a trilhar no início e em algumas fases, conforme vai zerando ganha pontos para liberar mais personagens ou modos de jogo, e por aí vai. A Sega demorou em não ter apadrinhado os caras e lançado isso oficialmente, mas infelizmente foi o contrário, eles resolveram ameaçar com processo os caras do projeto se não retirassem o jogo de circulação. Dando uma googleada não deve ser difícil achar, mas de qualquer forma, jogue os originais da Sega.

assinatura pnmp


Os velhos tempos: X-Men 2 – Clone Wars (Mega Drive/Genesis)

O ano era 1995 e os X-Men eram os heróis da década, parte pelo boom dos quadrinhos na época, parte pelo desenho animado de 92, responsável por uma geração de muleques que começaram a acompanhar as aventuras dos heróis (eu incluso). A Capcom tinha lançado no ano anterior um dos melhores jogos baseados nos personagens, e também um dos bons jogos de SNES (pelo menos um dos destaques da geração). A própria Sega já tinha sido feliz com um jogo divertido de X-Men de 1993. Eu só fui jogar mesmo em 98. Nunca tive um Mega Drive, mas um amigo que eu não via fazia quase um ano tinha alugado o jogo e fui com mais outro amigo visitá-lo, jogamos muito, o resultado é que depois disso ainda aluguei ele com esse outro amigo de novo e só com isso e mais umas manhas, que vergonha, conseguimos terminar. Esse jogo me traz muito boas lembranças.

A capa não era das melhores, mas o jogo. E apesar de estarem na capa, Jean Grey, Bishop e Tempestade não são personagens jogáveis

A base do enredo é de referência total à saga Aliança Falange (Phalanx Convenant, no original), onde uma raça alienígena com características tecno orgânicas que possui consciência coletiva ameaça adicionar os habitantes do planeta à sua espécie. No meio disso tudo ficam os X-Men, que são um impecilho para a aliança, já que eles não conseguem ainda mesclar mutantes a espécie.

A Sega trabalhou bem a linguagem de quadrinhos no jogo, você põe o cartucho, aperta power, logo de cara já começa com um dos personagens (Gambit, Noturno, Psylocke, Ciclope, Fera ou Wolverine, e posteriormente Magneto) em missão em um cenário de nevasca, você já começa controlando, sem saber PN do que aconteceu, se pegou uma cópia pirata em que caparam a abertura nem nada, assim que você completa a primeira missão entra a história explicando que você estava em missão investigando algo e só então entram a marca da Sega, da Marvel, o título do jogo, etc. O feeling de “que porr@ é essa que tá rolando?” é o mesmo da saga nos quadrinhos, já que a assimilação da Falange na história é feita de forma furtiva, com os personagens sem saber o que está acontecendo, só achando que tem algo estranho.

Ao longo do jogo você enfrenta diversos inimigos conhecidos do universo dos mutantes, sendo um deles, o Magneto, que acaba se unindo a você em sua missão, já que o planeta inteiro está ameaçado. Sentinelas, Exodus, Tusk e mesmo Apocalipse dão o ar da (des)graça nas diversas missões do jogo.

Graficamente o jogo é inferior ao concorrente mutante da Capcom pro SNES do ano anterior, entretanto, é um dos jogos mais bonitos que joguei no Mega Drive, e um dos mais divertidos também. O melhor é poder jogar de 2, muito embora sejam sofríveis algumas missões pelo fato de não dividir a tela, e pela taxa de frames que cai um pouco em algumas cenas. O jogo também é difícil pacas, ele tem muitas vidas, mas conforme você vê a quantidade de missões, e muitas vezes, a dificuldade de algumas delas, você vai descobrir que o número de vidas é pouco. Só te digo uma fase como exemplo: a de fuga da base das Sentinelas explodindo, em que você tem tempo para sair, se estiver jogando de 2 então…

É isso pessoal, tirem a poeira do seu Mega Drive, ou comprem um pelo Ebay e peguem o jogo, eu posso ser fanboy dos X-Men, mas não acho um jogo bom somente por ter os personagens (eu estou olhando pra você, X-Men Des Bostiny)


Tributo ao verdadeiro mascote da Sega

Arte por Dave Roman


%d blogueiros gostam disto: